Bola de Neve Church  


Jornal O Globo - 10/08/2003



Escrito por Dani às 13h21 [   ] [ envie esta mensagem ]





Jornal da Tarde - 06/01/2003

Surfando na onda da 'Igreja da Prancha'
Jovens, muitos deles esportistas, estão freqüentando a igreja evangélica Bola de Neve, na Lapa, que tem cultos como verdadeiros shows de reggae e rock. Seu pastor-surfista "Rina" diz que não há falta de respeito. Pelo contrário: que se estimula "a aproximação com o Senhor". E que dízimo "só dá quem quer"
Rafael Arbex/JT
O pastro "Rina" em meio a motivos que lembram o mar. No galpão da "Igreja da Prancha" há uma lanchonete que vende açaí e uma lojinha com roupas de surfe e CDs
Rua Marco Aurélio, 496. Lapa. Quinta-feira, 20h15. Mais de 500 pessoas se aglomeram em um galpão, a maioria entre 17 e 25 anos. Os homens, de bermudas, camisetas sem manga, bonés ao contrário. Tatuagens. As mulheres, saias curtas, camisetas, barrigas à mostra. A lanchonete vende açaí. Ao lado, uma loja com roupas de surfe com inscrições como "Keep Cool, Jesus Loves You" ("Fica Frio, Jesus Ama Você") e CDs. Uma tartaruga marinha de resina enfeita a parede. O local lembra um quiosque de praia. Só falta a maresia.

No palco, bateria, guitarra, baixo, piano elétrico e percussão. À frente, uma prancha apoiada em cavaletes. O ambiente de um show de reggae se modifica quando entra queme deveria ser o cantor. De jeans e camiseta, coloca uma Bíblia na prancha. Começa o culto na igreja evangélica Bola de Neve.

"Sou surfista desde criança e sei que os dogmas da igreja tradicional afastam a moçada da religião. Criei um local em que todos se sentissem à vontade e tivessem contato com a palavra do Senhor. Não há ofensa à religião. Nós procuramos celebrar a vida e aproximar os jovens de Deus, afastando-os das drogas, da podridão do mundo. Difundimos o conforto que Jesus Cristo dá e a resposta está sendo maravilhosa", diz o pastor Rinaldo Luiz de Seixas Perereira - ou "Rina", como gosta de ser chamado.

Em Florianópolis, o surfista Neco Padaratz confidenciou ao JT que um dos motivos que faz os esportistas radicais procurarem drogas é a depressão pela solidão e falta de apoio ao competir no Exterior. "O atleta precisa de apoio espiritual. A pressão é muito grande na competição. A Bola de Neve fala nossa linguagem. A identificação é imediata", garante Marcos Valete, vice-brasileiro de jiu-jítsu.

O culto lembra um show. As canções são em ritmo de reggae ou baladas de rock. A participação é estimulada pelo pastor: palmas, braços ritmados. Os testemunhos envolvem assuntos como casa mais barata na praia e acusações injustas de uso de drogas, abandono de lar, solidão, decepção amorosa. Itens dos rocks exibidos pela MTV.

'Jesus se tocou e foi logo...'

O pastor Rina conduz tudo com bom-humor e gírias. As interpretações dos salmos que lê são diretas. "As irmãs de Lázaro chegaram em Jesus e perguntaram: 'E aí? Meu irmão que seguia sua palavra morreu. Você vai ficar de braços cruzados?' Jesus ouviu, se tocou e foi logo mandando empurrar a rocha que estava na caverna onde o Lázaro estava morto. Aquilo não iria ficar assim..." (sobre o milagre da ressurreição de Lázaro).

O ritmo teatral conduz os freqüentadores: luzes mais baixas durante as músicas, letras exibidas na parede por um retroprojetor de slides. Enquanto Rina faz seu sermão, um piano deixa a pregação mais sentimental. As pessoas ficam profundamente envolvidas. Vários casais se abraçam e dão furtivos beijos quando o pastor fala em amor.

Grupos de reggae evangélico são convidados para os cultos. O baiano Tribo de Abrahão toca quatro músicas e vende seus CDs com desconto na lojinha. E há a infalível cobrança de dízimo.

"A Bola de Neve é uma casa do Senhor, como várias. Só que aqui me sinto à vontade. Boto minha bermuda, meu tênis e venho muito feliz. Ninguém tem preconceito ou me censura. Pelo contrário. Sinto a felicidade das pessoas quando me vêem aqui", comenta o skatista Foca, 24º no Mundial da Áustria.

Os cultos na "Igreja da Prancha" como é conhecida, são às quintas, às 20h30, e aos domingos, às 19h.


COSME RÍMOLI Jornal da Tarde

Escrito por Dani às 13h11 [   ] [ envie esta mensagem ]





Jornal Folha de São Paulo - 14/12/2003 (primeira página)

14/12/2003 - 06h16

Bola de Neve Church atrai jovens e surfistas


da Folha de S.Paulo

Quem chega à reunião religiosa logo após o seu começo, numa noite de uma quinta, tem a impressão de que se trata de um show de rock. O público é jovem e bonito. Percebe-se que se trata de uma cerimônia evangélica quando se presta atenção à letra da música exibida no telão. Os fiéis cantam em um semi-êxtase --alguns se abraçam fraternalmente.

O imóvel em Perdizes, um dos bairros com os melhores indicadores sociais de São Paulo, já abrigou um cinema, uma casa noturna e, depois, um bingo. Hoje é a sede da Bola de Neve Church. O seu nome vem da inspiração de que é uma obra que deve crescer --tem hoje cerca de 5.000 adeptos em cidades e praias do país.

Ao final da música, as luzes iluminam o púlpito, encimado por uma prancha long-board --grande parte dos pastores é surfista. O fundador da igreja se dirige aos fiéis com uma linguagem fácil, como numa conversa entre amigos.

Um fiel sobe ao palco para dar o seu testemunho. O tema é o dízimo. Ele diz que se encontrava numa situação financeira péssima, com 14 "borrachudos" (cheques sem fundos) na praça. Quando deu a sua contribuição à igreja, disse ao Senhor: "Pega aí, Fio, que agora é nóis". Depois disso, ele conta, a sua vida mudou. Veio a bênção da prosperidade.

O pastor faz a oração ao final da oferta do dízimo. Segue-se a pregação de uma presbítera. Nota-se mais claramente o papel que a linguagem tem na igreja. Quando são utilizadas as analogias musicais e brincadeiras (a felicidade "não depende da chapinha, não depende do saltão, depende do coração"), a mensagem atinge fortemente o seu objetivo e a resposta dos fiéis é imediata. Quando o discurso ganha formalidade religiosa típica, o ânimo arrefece.

Origens

Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, 31, surfista, formado em propaganda e marketing e pós-graduado em administração, fundou a igreja. De família batista, sua experiência religiosa tornou-se intensa em 1992. Na época, bebia, era usuário de drogas --"nada que prejudicasse na escola"-- e teve uma hepatite séria. A sensação de morte foi forte.

Ele passou a frequentar a neopentecostal Renascer em Cristo. "Em 1999, havia o chamamento, a sede de falar do amor de Deus." Então Rina, como é mais conhecido, fundou a Bola de Neve.

Ele pensava que iria encontrar resistência do pai. Este então relatou que a mãe de Rina havia tido problemas no parto. O pai fez uma promessa pela salvação. Teria dito: "Meu filho é Teu".

Rina aponta como motivo para a fundação da igreja a necessidade de levar a mensagem de Deus em uma linguagem especial. Ele queria uma igreja com capacidade de transmitir o evangelho de forma mais pessoal.

Na visão do fundador da Bola de Neve, o crescimento das igrejas evangélicas é uma resposta ao crescimento da violência, do uso de drogas e da miséria. Nesse contexto, a sede de se aproximar do bem seria proporcional.

A igreja é liberal com relação à vestimenta. São permitidas tatuagens. É exigente em relação a outros aspectos: cigarro e bebidas alcoólicas são proibidas. E os corpos sarados só estão liberados para o sexo após o casamento.
Escrito por Dani às 13h09 [   ] [ envie esta mensagem ]





Jornal Diário de SP - 15/07/2002

Igreja coloca prancha de surfe no lugar do púlpito e atrai “radicais”

                                                       THIAGO FUSCHINI



Templo evangélico Bola de Neve, na Lapa, reúne cerca de 700 moças e rapazes nos cultos

Uma pessoa desavisada que vai pela primeira vez em um culto da Igreja Evangélica Bola de Neve, na Lapa, Zona Oeste, pode confundir o templo com um bar de surfistas. O local é um enorme galpão, com uma lanchonete que vende de tudo, menos bebidas alcoólicas e cigarros. Mas no palco, montado no fundo do imóvel, há uma prancha de surfe no lugar do púlpito tradicional. Em cima dela, do lado esquerdo, ficam uma Bíblia e um copo d'água.

A cena curiosa se completa com a banda da igreja, que, equipada, com guitarras, bateria e caixas de som, ensaia uma música calma para receber os fiéis. Na parede, um enorme quadro representando o oceano, com imagens de peixes, baleias e crustáceos, e uma gigantesca onda quebrando no mar.

O culto na Bola de Neve, que fica na Rua Marco Aurélio, 496, acontece todas as noites de quinta-feira e de domingo. Por volta das 20h, cerca de 30 minutos antes da celebração, começam a chegar jovens de toda a cidade — moças e rapazes, a maioria praticante de esportes radicais, como surf, skate e rappel.

Culto

Na última quinta-feira, o culto começou com pouco mais de cinco minutos de atraso. A igreja estava lotada, com cerca de 700 pessoas. No palco, a diaconisa Priscila Seixas, irmã do fundador da igreja, Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, convidava os fiéis a se acomodarem. “Tem bastante lugar nas cadeiras aqui na frente, mas quem quiser se sentar no chão pode ficar à vontade”, dizia.

O culto seguiu por duas horas, com louvores a Deus e testemunhos de fiéis que presenciaram algum “milagre”. Um deles, o mergulhador Marcelo Lisboa, contou como escapou da morte quando mergulhava em Boiçucanga, no Litoral Norte. “Senti as pernas falharem e a visão ficar embaçada. Mesmo assim, consegui voltar à superfície”, lembrou.

O ritmo das canções tocadas pela banda são aqueles mais comuns entre os jovens: o rock'n'roll e o reggae. Quando começa a música, um dos integrantes da banda pede que a luz do galpão seja apagada. Os fiéis cantam de mãos dadas. A celebração termina com muitos fiéis abraçados, planejando o programa do fim de semana.

Fundador saiu da Renascer

A informalidade da Igreja Evangélica Bola de Neve deve muito ao seu fundador, o ex-representante de vendas de roupas de surfe Rinaldo Luiz de Seixas Pereira. Nascido e criado na igreja evangélica, Seixas já foi fiel da Renascer, da qual se desligou há nove anos. Na época, com a ajuda de amigos que faziam reuniões para estudos bíblicos, começou a organizar a Bola de Neve. “Escolhemos o nome porque achamos que era um grupo que ia crescer muito”, explica Pereira.

Hoje, a nova igreja tem templos em Boiçucanga, no Litoral Norte, onde o pastor é Catalau, ex-vocalista da banda de rock Golpe de Estado, e em Itacaré, na Bahia. Ainda existem núcleos em Itanhaém e Peruíbe, no Litoral Sul, Florianópolis (SC), Natal (RN) e Niterói (RJ).

“Crescemos bastante nos últimos anos porque procuramos essa garotada de 16 a 24 anos, que normalmente não encontra espaço nas outras igrejas. Além disso, não queremos impor regras para as pessoas. Não somos nada parecidos com a idéia geral que as pessoas têm dos evangélicos”, explica.

Segundo Seixas, a identidade da igreja com o surf faz parte da própria história de vida dos fiéis. “A maioria de nós gosta de pegar onda. Não existe nenhum conflito em relação a isso. Somos evangélicos e gostamos de surf e outros esportes radicais”, diz.

Pereira também destaca a informalidade da igreja. “Normalmente, as pessoas acham que os evangélicos tem de usar terno, colocar gel no cabelo e andar com a Bíblia debaixo do braço, e que as mulheres não podem cortar o cabelo e têm de andar de saia. Nós não fazemos isso: procuramos deixar todo mundo bem à vontade”, conta.

Segundo ele, a Bola de Neve prega o que está escrito na Bíblia. “Acreditamos naquele ditado que diz: 'tudo lhe é lícito, mas nem tudo lhe convém'. Por isso, não aceitamos o uso de drogas”, garante.

Fiel soube da igreja no mar

O estudante Proni Ribeiro, de 23 anos, começou a freqüentar a Igreja Bola de Neve há dois meses, quando foi convidado por amigos a participar do culto.

DIÁRIO DE S.PAULO - Como conheceu a igreja?

PRONI RIBEIRO - Estava surfando no Guarujá. Esperava na marola a onda chegar e, como demorava, conversava com algumas pessoas que me falaram da igreja.

Como é o dia a dia na igreja?

Eu sinto uma coisa realmente espiritual, que me faz sentir à vontade. A melhor parte é que a gente pode fazer amigos. Conheci pessoas aqui que me deram dicas de praias legais para surfar e a gente acaba sempre viajando junto. Além disso, é um lugar onde eles não tentam te empurrar regras, como nas outras igrejas, mas só dizem o que a Bíblia recomenda.

Existe alguma limitação em relação a costumes?

Somos contra o uso de drogas. A igreja também defende que o sexo antes do casamento não é uma coisa legal. No começo é meio difícil, porque você chega aqui e vê todas essas garotas bonitas, e é meio difícil evitar de ficar olhando.


Escrito por Dani às 04h07 [   ] [ envie esta mensagem ]





Revista Capricho - 02/12/2001

 


Escrito por Dani às 03h47 [   ] [ envie esta mensagem ]





1º parte da reportagem da revista Trip


Escrito por Dani às 03h44 [   ] [ envie esta mensagem ]





2º parte da reportagem da revista Trip


Escrito por Dani às 03h42 [   ] [ envie esta mensagem ]





Revista Super Interessante - Edição 197

O FUTURO A DEUS PERTENCE?
O maior país católico do mundo pode estar se tornando uma nação de maioria evangélica? Dificilmente, concorda a maioria dos especialistas. Mas eles discordam na hora de prever o ritmo do crescimento. De um lado, estão os que acham que o boom já passou e que a Igreja Católica, com a renovação carismática, equilibrou o jogo. Do outro, pesquisadores que vêem no frágil compromisso dos brasileiros com a religião um prato cheio para os neopentecostais. Cerca de 80% dos nossos católicos se dizem não-praticantes. É um enorme mercado para os evangélicos.

Não é à toa que a maioria dos convertidos vem do catolicismo. Mas, na hora de afirmar a identidade e escolher um adversário, o pentecostalismo ataca o candomblé e a umbanda. E vai na jugular, às vezes escorregando para a intolerância religiosa. Em quase todos os templos é possível ouvir que essas religiões cultuam o Diabo. Também há casos de ataques a terreiros estimulados por pastores. Pode-se dizer que a briga contra as religiões afro-brasileiras, e não contra o catolicismo, o verdadeiro rival, seja uma estratégia de marketing. Quando enfrentaram os católicos, os evangélicos levaram um contra-ataque duro, que envolveu denúncias de charlatanismo e estelionato e ameaçou a sobrevivência das igrejas, além de provavelmente afastar fiéis. A popularidade dos evangélicos chegou ao fundo do poço quando um pastor da Universal chutou na TV uma estátua de Nossa Senhora Aparecida (os evangélicos não cultuam imagens).

Mas, embora esses episódios possam dar a impressão de que o fanatismo religioso esteja em alta no Brasil, muitos especialistas defendem a tese de que o crescimento evangélico seja um indício do contrário: de que cada vez mais gente rejeita a religião. É o que sugerem pesquisas mostrando concentrações de evangélicos nas mesmas regiões onde há altos índices de pessoas "sem religião" – caso do estado do Rio e da zona leste paulistana. "As pessoas estão experimentando uma nova crença. Se perceberem que não está dando certo, que Deus não é tão fiel, podem desistir da busca", diz o sociólogo Pierucci. "Abandonar a religião oficial é o primeiro passo de saída do mundo religioso", afirma.

Um indício de que a conversão ao mundo evangélico significa um arrefecimento do fervor religioso é o fato de que as neopentecostais exigem poucas mudanças nos fiéis. O resultado é que, quanto mais crescem, menos os evangélicos mudam a cara do país – bem ao contrário da revolução que ocorreu na Europa com as idéias de Lutero e Calvino. Prova disso é a programação da Rede Record, comprada pela Igreja Universal com o dinheiro do dízimo, que pouco difere das concorrentes.

Talvez o trunfo evangélico para conquistar almas seja sua capacidade de adaptação. Com a rejeição à centralização da interpretação bíblica herdada da Reforma protestante, qualquer um pode abrir um templo e pregar como quiser. Assim, enquanto seus "irmãos" se expandiam em áreas pobres, a Igreja Bola de Neve cresceu 1 100% em três anos orando para os ricos. Seus dez templos, cuja marca registrada são as pranchas de surfe como púlpito e os hinos religiosos em ritmo de reggae, funcionam em áreas de classe média-alta de São Paulo e cidades de praia como Florianópolis, Itacaré e Guarujá. O público são jovens da classe A e B, com curso superior. Para quem está acostumado a fiéis pobres e pouco instruídos, a Bola de Neve é uma surpresa desconcertante. Para os evangélicos, somente mais uma prova de que a obra de Deus chegará a todos os corações.


Escrito por Dani às 03h32 [   ] [ envie esta mensagem ]





Revista Isto É Gente - 19/01/2004

 
Fotos: Claudio Gatti
Ele surfa, mergulha e salta de paraglider. “Os trajes dele, o fato de estar sem a gravata, isso o aproxima dos jovens”, afirma Monique Evans, cujo casamento foi realizado pelo pastor Rina

Religião
Na onda do pastor
O surfista e publicitário Rinaldo Pereira deixou as drogas ao se converter evangélico, tornou-se pastor, criou a igreja Bola de Neve e usa uma prancha de surfe como púlpito

Jonas Furtado

 
Ele tem pinta de surfista, não perde um final de semana na praia e é formado em propaganda e marketing. À primeira vista, a Bíblia na mão é o único indício de que Rinaldo Luiz
de Seixas Pereira seja um pastor evangélico. A decoração
do local também é um tanto quanto inusitada para uma igreja: nas paredes, quadros de ondas e de surfistas; uma prancha de surfe faz as vezes de púlpito. Os fiéis chegam aos grupos. A maioria tem entre 15 e 30 anos. Eles, de camiseta regata e bermuda; elas, de blusinha e saia curta. Tatuagens e barriguinhas saradas à mostra. Durante o culto, o profeta Tiago é citado como “um dos apóstolos mais ‘chegados’ de Jesus Cristo”.

“É um local em que todos se sentem à vontade e têm contato com a palavra do Senhor. Não há ofensa. E se existem críticas (dos pastores tradicionais), elas nunca foram feitas diretamente a alguém da nossa igreja”, diz o pastor Rina (como Rinaldo é conhecido), 31 anos, criador da igreja Bola de Neve, em São Paulo, cuja freqüência vem crescendo entre os jovens, especialmente os que freqüentam o litoral e gostam de esportes radicais. Surfista desde a adolescência, ele converteu-se depois de enfrentar uma situação “de vida ou morte” provocada pelo abuso de drogas, tendo como agravante uma hepatite C, durante o Carnaval de 1992.

Nascido em uma família de formação batista, Rina aprofundou seus conhecimentos bíblicos, após a traumática experiência, e virou pastor. Batizou a nova igreja (“queríamos um nome que mostrasse algo que começasse pequeno e só crescesse”, explica) e, em fevereiro de 1999, realizou o primeiro culto no auditório de uma das maiores grifes de moda surfe do País, onde ele trabalhava como representante de vendas. “Foi aí que a prancha de surfe virou púlpito, porque eu não tinha nem onde apoiar a Bíblia”, conta.

Fotos: Claudio Gatti
A prancha de surfe como púlpito: nos primeiros
cultos o pastor não tinha onde apoiar a Bíblia

Desde então, o crescimento da igreja justifica o nome. O número de fiéis, segundo ele, aumentou de menos de 200 para mais de 3 mil. Entre eles está a apresentadora da Rede TV Monique Evans, cujo casamento com o empresário Guga Sander foi celebrado no ano passado por Rina em cerimônia reservada. O jogador de futebol Cris, do Cruzeiro e da Seleção Brasileira, também faz parte desse time. Sedes foram abertas em cidades do litoral paulista, carioca, catarinense e baiano e novas ‘células’ (como o pastor chama os embriões de futuras sedes) começaram a ser trabalhadas nos Estados Unidos, em mecas do surfe: uma na Califórnia e outra no Havaí.

“A mensagem dele alcança a garotada. Os trajes dele, o fato de estar sem a gravata, isso o aproxima dos jovens”, afirma Monique Evans. O músico André Leandre Marechal, o Catalau, 44 anos, pastor da Bola de Neve em Boiçucanga, concorda. “O Rina não faz tipo, a galera se identifica com ele. Ele surfa no meio de todo mundo, tem a ver com essas pessoas”, afirma o ex-vocalista do Golpe de Estado, um dos grupos mais famosos de hard rock do País nas décadas de 80 e 90.

Fora da igreja, Rina leva uma vida parecida com a de seus fiéis. Nos fins de semana, é comum encontrá-lo pegando onda em Camburi, praia badalada do litoral paulista. Também faz curso de mergulho e salta de paraglider. Em São Paulo, faz aulas de natação, malha na academia e vive em um apartamento alugado com a esposa Denise, 30 anos, também evangélica, uma talentosa bodyboarder que teve a carreira prejudicada pelo consumo excessivo de drogas, e o enteado Nathan, de 9 anos. Juntos há três anos, os dois se conheceram na praia, é claro.


Escrito por Dani às 03h09 [   ] [ envie esta mensagem ]





1º parte da reportagem do jornal Ultimo Segundo

No Cristo da onda

Por Darlan Alvarenga, repórter iG em São Paulo

Darlan Alvarenga
Bola de Neve é um segmento originário da Igreja Renascer em Cristo
SÃO PAULO - Com a Bíblia em uma mão e a prancha em outra, surfistas criam a igreja evangélica Bola de Neve, que se difere das demais por não impor restrições à indumentária dos fiéis e por pregar a palavra de Deus com linguagem acessível. A igreja é exemplo do fenômeno medido pelo Censo 2000: o crescimento de evangélicos e a multiplicação de novas denominações Brasil afora.

Quinta-feira, oito horas da noite. Do lado de fora do endereço, na Lapa, em São Paulo, jovens de boné, tocas, calças largas e camisetas de surf sentados no chão, encostados no portão, se cumprimentam: "Paz, brother!", diz um rapaz com cabelos raspados, cheio de tatuagens, com peircing na orelha e uma prancha nas mãos.

Na entrada do galpão, pôsters de surf e um balcão repleto de adesivos em que são vendidas fichas para a compra de sanduíches naturais, salgados, bebidas e açaí na tigela.

No fundo, em um palco, a banda afina os acordes da guitarra, do baixo, gaita e bateria. O vocalista, de bermudas, passa as músicas. Atrás deles, um painel com golfinhos, uma grande onda e outros motivos marinhos.

Oito e meia, o galpão já está lotado. Uma loira parafinada sobe ao palco, coloca a bíblia em cima da prancha de longboard e diz: Amém! Os presentes entendem o recado. Sentam-se e ficam em silêncio absoluto. O culto evangélico da Igreja Bola de Neve vai começar.

Bola de Neve é um segmento originário da Igreja Renascer em Cristo que há dois anos se tornou independente e hoje conta com cerca de dois mil fiéis. Além da sede na Lapa, há outra em Boiçucanga, praia do litoral norte paulista, e a recém-inaugurada em Itacaré, na Bahia.

A idéia é que a Bola de Neve também tenha sedes em redutos de surfistas como Guarujá, Peruíbe, Itanhaém, Natal e Florianópolis. Criada por surfistas e para surfistas, a Bola de Neve difere-se das demais igrejas evangélicas por não impor restrições à indumentária de quem quer freqüentar a igreja e prega a palavra de Deus numa linguagem acessível e cheia de gírias.

O nome sugere algo pequeno que tende a crescer. Surgiu a partir das primeiras reuniões na casa do fundador, o surfista Rinaldo Pereira, de 30 anos, até ter seu primeiro galpão, uma sala vazia de uma marca de artigos para surf onde o pastor trabalhava. Na falta de um púlpito, o dono da empresa sugeriu usar uma prancha em cima da mesa. A idéia acabou pegando e hoje é um dos símbolos da igreja.

"Não foi nenhuma estratégia de marketing, ficou simplesmente a cara da liderança", explica Rinaldo. "Mas é claro que esse visual ajuda a quebrar estereótipos, principalmente daqueles que tinham aversão à igreja e à religiosidade. Aqui a identificação dos jovens com a igreja é muito grande, aqueles que estão pegando onda com eles no domingo são os mesmos que no sábado estão pregando ou na liderança da igreja".


Escrito por Dani às 03h01 [   ] [ envie esta mensagem ]





2º parte da reportagem do jornal Ultimo Segundo

Rock e reggae

Depois da leitura de um salmo, os presentes levantam para uma oração coletiva. De olhos fechados e com as mãos para cima, os fiéis fazem coro de gritos de aleluia e "Glória a Deus", encerrado por aplausos, assovios e alguns gritos. Em seguida, há um ritual básico a ser seguido.

De luzes apagadas, a banda sobe no palco e toca em média seis músicas, que começam no ritmo pauleira, rock, e gradualmente vão ficando mais lentas, passando do reggae para baladinhas.

Os fiéis acompanham cantando e batendo palmas, em alguns momentos dando as mãos, ajudados por um projetor que estampa as letras na parede. Show e culto se confundem.

Mesmo porque, não raro, a banda de reggae Planta e Raiz (Ouça músicas) costuma aparecer e dar uma canja. Integram também a lista de conhecidos convertidos o ex-vocalista do Golpe de Estado, André Marechal, o Catalau, e diversas personalidades do surf, como Dada Figueiredo, Tadeu Pereira, Roni Bonetti e Denise Gouveia, vice-campeã de bodyboard, em 89 e 90, casada com Rinaldo.
Reprodução
A banda Planta e Raiz costuma aparecer e dar uma canja nos cultos


As luzes acendem de novo. O próximo momento é o da apresentação das visitas. O diácono pede para que elas se levantem e digam o nome. Mais de 20 pessoas se colocam de pé. Na seqüência, abre-se espaço para testemunhos de fiéis.

Uma mulher sobe ao palco e se emociona ao contar que depois de se separar do marido e perder todos os bens adquiridos havia conseguido tudo de volta após 40 minutos de audiência na justiça.

Em seguida, é feita a doação de dízimos e ofertas. Uma caixa é colocada próxima ao palco e, como manda o protocolo religioso, fiéis se levantam para dar o dízimo. Segundo o pastor, essa é a única fonte de renda da Bola de Neve.

Copa, Harry Potter e José Saramago

Chega então o momento da pregação da palavra de Deus. Um jovem vestido de calça jeans, camisa para fora e tênis de skatista sobe ao palco, coloca a Bíblia, as anotações e o celular em cima da prancha e começa a falar. Trata-se do diácono Gilson Mastrorosa.

Ele explica que nesta noite será o responsável pela tarefa no culto porque o pastor da igreja participa da inauguração da "filial" de Itacaré. "Posso falar para você. O barato lá é louco, mano. Tá uma benção", diz.

Na seqüência, pergunta quem assistiu ao jogo do Brasil contra a Turquia. "Você acha que aquilo lá foi uma batalha? Batalha mesmo é a disputa do diabo pela sua mente", diz, introduzindo o tema da noite: a batalha espiritual.

O diferencial da Bola de Neve fica por conta do visual dos membros e líderes, na idade das pessoas - a maioria entre 18 e 30 anos -, das gírias, da descontração e da naturalidade como é feita a reunião.

No discurso, a mensagem não se difere muito das outras denominações evangélicas. "Seguimos a bíblia. A diferença é que quebramos alguns dogmas, como a prancha no lugar do púlpito e as roupas. Eu, por exemplo, nunca uso terno", explica Rinaldo.

Na Bola de Neve, os jovens afirmam ter liberdade para louvar. "O homem doutrina muito, põe muitos rótulos e isso afasta a galera. A Bola de Neve dá liberdade para o jovem curtir Deus", afirma o vocalista do Planta e Raiz, Zeider Pires, de 22 anos.

Embora a banda faça sucesso também com o público não evangélico, Zeider afirma que o grupo está na estrada "fazendo correr o nome de Jesus". "A nossa banda não é gospel, fala da realidade, do amor. Mas não tem como falar de solução, de liberdade total sem falar de Deus", diz.

Dentro da igreja, as cadeiras são insuficientes para todos os presentes. Os fiéis sentam-se no chão, cruzam as pernas, abrem as bíblias sobre as pernas e não tiram os olhos do pregador. Algumas colocações feitas no sermão poderiam soar até mesmo conservadoras e radicais, vindo de uma igreja aparentemente tão liberal.

O diácono condena programas de televisão como Big Brother, o uso em demasia da internet, Harry Potter e até o escritor José Saramago. "Peguei para ler uns livros desse cara que ganhou o Prêmio Nobel: parecia o próprio Satanás falando".

Sexo só depois do casamento

Apesar de haver tolerância com relação a diversos comportamentos considerados "impróprios" para a maioria das igrejas, práticas como uso de drogas e sexo antes do casamento são condenadas.

A pregação não é rígida em relação a isso, até porque os visitantes poderiam se assustar e não voltar mais, mas a orientação é seguir a palavra de Deus. "Pregamos o evangelho puro, o que é pecado nas outras igrejas, é aqui também", explica o pastor.

"Todas as coisas são permissíveis, mas nem todas lhe convém", diz o vocalista do Planta e Raiz, citando um preceito bastante repetido entre os membros da Bola de Neve.

No final do culto, Gilson conta a sua própria história. Sua experiência com as drogas e sua conversão. Ele lembra um episódio na Califórnia, quando estava dirigindo alcoolizado e foi parado pela polícia.

Antes da abordagem, ele conta que fechou os olhos e prometeu a Deus que se conseguisse livrar-se daquela, seria outro. "Acredite, o ponteiro do bafômetro não saiu do lugar", diz. "De lá para cá tomei jeito e não houve e não vai haver nenhum outro ´se` na minha vida". Aleluia, gritam os fiéis, batendo palmas.

Por fim, o pregador pergunta se há na igreja alguém que também gostaria de tomar a mesma decisão. Os que levantam as mãos são convidados para se dirigirem até a frente para uma oração.

Atentos, os secretários da igreja se dirigem com uma prancheta até as pessoas para anotar seus nomes e endereços e manter o contato. Se tudo der certo, elas voltam na próxima quinta, sábado ou domingo e trazem com elas potenciais novos surfistas de Cristo.

"Minha mãe está começando a freqüentar a igreja", conta o promotor de vendas e surfista Leonardo Bressan, de 25 anos. "Aqui é assim, primeiro vêm os filhos e depois chegam os pais".
Escrito por Dani às 03h00 [   ] [ envie esta mensagem ]





3º parte da reportagem do jornal Ultimo Segundo

Bíblia, surf, rock e nada de sexo ou drogas

Na opinião de muitos, pode parecer um contra-senso e um desperdício jovens bonitos, bronzeados e musculosos não transarem antes do casamento e não irem para baladas à noite.

Já para as igrejas mais tradicionais, pode soar impróprio ou, quem sabe, até profano, jovens tatuados, de piercing, falando gírias, vestidos de roupas de surfistas ou skatistas, cantando rock ou reggae durante o culto.

Mas para os membros da Bola de Neve não há nada de estranho ou incoerente nisso. Para Bressan, as pessoas costumam julgar os outros sem conhecer. "As pessoas daqui podem parecer diferentes, mas seguem os mesmos preceitos bíblicos", diz.

Membro da igreja há mais de um ano, ele conta que conheceu a Bola de Neve por meio de um amigo. "Ele me chamou para ir a uma excursão e pegar umas ondas em Florianópolis. Quando me dei por conta estava num encontro de crentes", diz. "A balada era pegar onda de dia e ir ao culto à noite. Acabei curtindo e tive então a minha experiência".

"Quem critica ou condena não está olhando com olhos de amor", declara a designer e surfista Cíntia Possi, de 22 anos. "Ninguém precisa se descaracterizar para louvar a Deus, você pode ser o que você é. O importante é a transformação por dentro", afirma.

Ela conheceu a Bola de Neve no Havaí, por meio de outros surfistas. Católica de berço, Cíntia diz que até então nunca tinha sentido o poder de Deus. "Não freqüentava muito a igreja, mas tinha preconceito de evangélicos, achava que ia ter que me mudar, usar saia longa, essas coisas. Aqui, aprendi que não precisa ser careta para adorar a Deus".

"Ser crente não é careta"

Na Bola de Neve, são comuns excursões para praias e atividades de ecoturismo. "O esporte costuma ser uma boa alternativa às drogas, um modo de extravasar as energias para o bem", afirma a coordenadora de eventos Lizandra Oliveira, de 23 anos. "Antes de entrar para a igreja, achava os evangélicos bitolados. Essa imagem de crente está ultrapassada. Não tem nada de careta em ser crente, pelo contrário".

O promotor de eventos Rodrigo Medeiros, de 23 anos, afirma que o visual hardcore dos membros da igreja se deve ao fato da Bola de Neve centrar o seu evangelho na praia e nos adeptos de esportes radicais. "O surfista costuma ver a morte muito de perto, por isso ele precisa acreditar em algo mais", diz.

Fabiano Douglas Ribeiro, de 27 anos, que toca gaita no louvor, conta que depois que entrou na igreja parou de beber e de usar drogas. "Ou sirvo a Deus por inteiro ou não sirvo", diz o fiel, segurando sua bíblia repleta de adesivos de surf.

A administradora de empresas Sheila Possi, de 25 anos, conta que simplesmente deixou de ter vontade de usar drogas. "Eu era a maior baladeira, quase uma alcoólatra. Hoje, tenho coisas melhores para fazer, como vir para a igreja e louvar a Deus".

Ela admite, no entanto, que no começo não foi fácil abandonar algumas práticas. Ainda mais porque ela tinha namorado e uma vida sexual ativa. "É difícil explicar para quem está de fora, mas hoje é diferente e não me faz falta", conta Sheila, que entrou para a igreja junto com o namorado Rodrigo Gouveia, de 24 anos.

Ele aprova o retorno a uma vida sexual somente após o casamento. "Você é tomado, ungido, tem um Deus que te guia e vai se sentir mal fazendo o que não é apropriado antes de estar casado", tenta explicar Gouveia.

Drogas e sobrenatural

Boa parte dos membros da igreja afirma já ter tido algum tipo de envolvimento com drogas, lícitas e ilícitas. "Aos poucos, você vai perdendo a vontade", diz Leonardo.

"Com o tempo, a pessoa saca que quem é livre de verdade não precisa usar drogas e ser escravo delas e que é preciso estar limpo para poder entender as coisas do alto", diz Zeider Pires, de 22 anos, vocalista do Planta e Raiz.

O próprio fundador da igreja costuma relembrar nos sermões a sua experiência com as drogas. "Em um determinado dia tive uma sensação de terror e morte, resolvi falar com Cristo e tive a minha experiência. A minha paz de espírito foi tão grande que me deixou com sede de Bíblia, sede de buscar coisas sobrenaturais", diz Rinaldo Pereira.

Essa sede também se reflete nos membros da Bola de Neve. Mais do que fiéis, eles se sentem missionários da causa. Mas o que tem levado tantos jovens a se identificarem com esse tipo de mensagem?

"O jovem está cansado de bater a cabeça na balada, está cansado de viver coisas superficiais. Aqui ele encontra um local acolhedor, no qual ele se identifica, faz amizades sinceras e sempre aprende coisa boa", diz a coordenadora de eventos Lizandra Oliveira, de 23 anos.

Rinaldo destaca, no entanto, que não se trata de uma igreja só para surfistas ou praticantes de esportes radicais. "Pregamos a palavra para quem chegar ali. Se a pessoa se sentir à vontade, essa vai ser a igreja dela, se não se sentir, vai ter uma série de outras igrejas para ela ficar à vontade".
Darlan Alvarenga
Bateria, guitarra e bermudas no louvor a Cristo

Escrito por Dani às 02h59 [   ] [ envie esta mensagem ]





Tem coisas que só Jesus faz, essa reportagem serve p/ nos mostrar isso

CATALAU MOSTRA O EVANGELHO EM FORMATO ROCK AND ROLL

O ex-vocalista do Golpe de Estado, convertido a evangélico, vive livre das drogas e lança o álbum Jesus Está Voltando, que retrata seu novo estilo de vida

Por Antonio Rodrigues Junior


Foto: Indayara Moyano.

Após sua saída do Golpe de Estado, na segunda metade dos anos 90, o vocalista Catalau passou a apostar em sua carreira solo. O primeiro lançamento foi em 1997, com o disco O Último Espetáculo da Terra. Neste ano, converteu-se ao evangelho e passou a freqüentar a igreja. Agora, mostra a nova fase de sua vida no CD Jesus Está Voltando.

Devido ao alcoolismo e alto consumo de drogas, e como não conseguia se regenerar, Catalau se converteu e atualmente freqüenta a igreja evangélica Bola de Neve (os surfistas de Cristo), de Boissucanga, na cidade litorânea de São Sebastião (em São Paulo).

"Necessitava me converter por causa do álcool e das drogas entorpecentes", declara Catalau. "Não conseguia sozinho. Perdi minha irmã e amigos. Achava que o único jeito era morrendo. Via outras pessoas entrando em igrejas e se recuperando, mas até duvidava, não conhecia o milagre. Achava a Bíblia um livro careta, mas é a coisa mais louca."


Escrito por Dani às 02h36 [   ] [ envie esta mensagem ]





Reportagem revista Veja Jovens - Julho/2003 - http://veja.abril.com.br/especiais/jovens_2003/p_028.html


Cacau Mangabeira
William Silva, 18, de Itacaré, Bahia
Evangélico
  Nascido numa família de católicos praticantes, William tornou-se evangélico há seis anos. Sua igreja, a Bola de Neve, é freqüentada sobretudo por jovens. Surfista desde criança, ele sempre reza antes de entrar no mar e pegar onda. Muitos de seus amigos usam drogas. "Eu não uso porque Deus não gosta dessas coisas", diz. "Vivo aconselhando meus amigos e às vezes consigo convencer alguns deles a largar o vício."

Escrito por Dani às 02h06 [   ] [ envie esta mensagem ]





1º parte da réportagem da revista Época - 28/07/2003

Na onda de Cristo

Afiada na linguagem dos jovens, a igreja evangélica Bola de Neve Church cresce pregando curas milagrosas e sexo somente depois do casamento

CRISTIANE SEGATTO


 

Fotos: Fabiano Accorsi/ÉPOCA
ÍCONES Com a Bíblia na mão e a prancha de surfe à vista, o pastor Rina prega o Evangelho com os métodos dos neopentecostais

Volta e meia uma mãe desconfiada invade os domínios do pastor evangélico Rinaldo de Seixas Pereira, de 31 anos, louca para desmascarar a balada que o filho anda curtindo com a desculpa de freqüentar uma igreja. Mal consegue disfarçar a surpresa quando avista o pranchão de longboard colocado sobre o púlpito da Bola de Neve Church, um templo onde reggae, surfe e pregação se confundem. A igreja da galera cresce no Brasil de carona na tendência de especialização das agremiações evangélicas, conforme explica o pastor batista Ariovaldo Ramos, diretor da Faculdade Latino-Americana de Teologia Integral. Em um esforço de diferenciação, igrejas emergentes procuram públicos cada vez mais específicos.

A Bola de Neve Church cresceu 1.100% nos últimos 2 anos e já está presente em 8 cidades brasileiras

Criada por um surfista formado em propaganda e marketing, a Bola de Neve pretende converter espíritos indomáveis - surfistas, skatistas, drogados, malhadões e gatinhas - em tranqüilos servos de Deus (e da igreja), dispostos a abandonar vícios e abrir mão do sexo antes do casamento. A receita: música, telões que exibem cenas de esportes radicais, festas em casas noturnas (regadas a refrigerante), cultos superemocionados e linguagem para lá de informal.

'Vocês já viram uma igreja com tanta balada?', pergunta à platéia o pastor Rinaldo, vestido de calça jeans e tênis. A maioria do rebanho de 'Rina', como é chamado, tem entre 15 e 30 anos. Os 1.200 fiéis lotam o maior dos templos, inaugurado no início de julho em Perdizes, bairro paulistano de classe média. Nascida de uma reunião de amigos há dez anos, já com ambição de virar avalanche, a Bola de Neve avolumou-se. Nos últimos dois anos, o número de membros da igreja pulou de 250 para 3 mil em todo o país. Eles se cadastram formalmente e pagam o dízimo (10% da renda mensal). Freqüentadores esporádicos estão fora dessa conta. Já existem sedes em Boiçucanga e Peruíbe, no litoral paulista; Florianópolis, em Santa Catarina; e Itacaré, na Bahia. Na cidade baiana de 20 mil habitantes, a Bola de Neve ocupa um casarão antigo, ao lado da igreja católica. Pastor e padre vivem às turras, e a fama da evangélica se espalha. Grupos menores funcionam em Itanhaém e Santos, São Paulo; em Laguna, Santa Catarina; em Niterói, Rio de Janeiro; e em Salvador, Bahia. Osurfista Dadá Figueiredo, um dos mais importantes nomes do esporte nos anos 80, está prestes a inaugurar uma célula na Barra da Tijuca, no Rio. Embriões da igreja brotarão em breve em Huntington Beach, na Califórnia, e até mesmo no Havaí.

Fotos: Fabiano Accorsi/ÉPOCA
''Alguém aqui ainda escuta os Beatles? Não. Mas Jesus continua sendo capa de revista''
Pastor Rinaldo de Seixas Pereira

Arrastar adeptos em potencial para os cultos em que decotes e bíceps à mostra são aceitos é tarefa de gente como o fisiculturista Enzo Perondini Filho, de 40 anos, vencedor do Campeonato Brasileiro de Musculação Atlética no ano passado. Vítima de anabolizantes que lhe provocaram um câncer no fígado, Perondini recebeu uma previsão de três meses de vida em 1998. Mas a doença estacionou. O fiel, que se considera curado por Deus, percorre o circuito das academias de ginástica em busca de ovelhas como a modelo Cida Marques, conhecida pelos seios fartos exibidos nas revistas masculinas, e Monique Evans, apresentadora do apimentado Noite Afora, da RedeTV!, um mosaico de cenas de sexo com depoimentos de strippers e garotos de programa.


Escrito por Dani às 02h03 [   ] [ envie esta mensagem ]



[ ver mensagens anteriores ]
 





BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English
ICQ - 22182119







25/04/2004 a 01/05/2004


 
 




Bola de Neve Church


 

 

Dê uma nota para este blog